Fonte:
Yahoo
Por
Lucas Pretti
Erlangen, Alemanha,
08 (AE) - O cientista Jürgen Herre é um dos membros
do "time" que desenvolveu o MP3 em 1987, na unidade
de circuitos integrados do Instituto Fraunhofer, na Alemanha.
Vinte anos depois, ele dirige a unidade e acompanha de perto a
evolução da música. Acha, por exemplo, que
o protecionismo deve logo acabar. Leia a entrevista:
JÜRGEN
HERRE - O MP3 ajudou a popularizar a música na internet.
Você acha o MP3 uma tecnologia "inclusiva"?
Há três
aspectos a serem levados em conta sobre o sucesso do MP3: o desenvolvimento
do formato, a internet e a evolução da microeletrônica.
A web deu a plataforma para as pessoas trocarem arquivos, e a
eletrônica possibilitou que elas ouvissem os arquivos facilmente.
A união dessas três coisas pode ser considerada "inclusiva".
Qual é
a sua opinião sobre a pirataria na internet? Os arquivos
mais leves incentivam os piratas?
JÜRGEN
HERRE - Nós defendemos que os criadores de música
(compositores, produtores, músicos, etc.) recebam por suas
composições - assim como os criadores de tecnologia.
Claro que ajudar o "áudio na internet" também
facilita o "áudio pirata na internet", mas o
fato de o arquivo ser pequeno pouco influencia hoje em dia, com
a transmissão de dados mais rápida. O bom é
que o MP3 também facilita a vida de artistas com novas
possibilidades de venda e distribuição, além
de democratizar o acesso à música. Na web, hoje,
todos podem ser artistas.
A indústria
da música está certa em proteger direitos autorais
com o protocolo DRM (que bloqueia a transferência de arquivos)?
JÜRGEN
HERRE - Do ponto de vista da indústria, é óbvio
que é necessário proteger os direitos autorais.
Da perspectiva do usuário, no entanto, música encriptada
é mais chata de usar do que arquivos MP3 sem DRM, além
de não tocar em todos os dispositivos. O próprio
Fraunhofer disponibiliza uma codificação DRM aberta
para internet, celulares e transmissão digital. Boas soluções
para o dilema têm aparecido, mas acho que o caminho natural
é romper o DRM e facilitar o uso e a compatibilidade dos
arquivos.
A capacidade
de armazenamento das pessoas cresce com discos rígidos
externos, pendrives e iPods mais potentes. A banda larga também
já está mais popular. Ainda precisamos de arquivos
compactos?
JÜRGEN
HERRE - Há certas aplicações que precisam
de arquivos pequenos, que ainda não evoluíram tecnologicamente
a ponto de substituí-los, como as transmissões digitais
sem fio. Além disso, o preço da compressão
cai a cada dia e a capacidade de compressão aumenta. Fãs
de música não jogam arquivos fora, só guardam
mais e mais canções. Por isso acho que os arquivos
compactos ainda durarão muito.